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As Andreias

Somos amigas, por vezes loucas, e temos muito para contar das nossas vidas e do nosso dia-a-dia! Com famílias, trabalhos, e tudo o resto de uma vida "normal", embarcamos em mais uma aventura: licenciatura!

Somos amigas, por vezes loucas, e temos muito para contar das nossas vidas e do nosso dia-a-dia! Com famílias, trabalhos, e tudo o resto de uma vida "normal", embarcamos em mais uma aventura: licenciatura!

As Andreias

13
Abr20

1 mês em casa, 1 trimestre fechado e saudades!

Andreias

Estamos em casa há um mês. Caramba, como passou rápido! Passou um mês desde que fomos ao escritório pela última vez. Passou um mês desde que começámos a estar com as nossas pessoas, apenas à distância. Mas vamos por partes 😉

 

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Na semana passada acabámos o 2º trimestre de aulas. Fizemos o último teste na 3ªF, e, entretanto, já temos as notas de tudo. Mais 3 disciplinas feitas. 😀 🤘 Este trimestre não foi muito fácil. A meio tivemos de deixar o ensino presencial, e passadas duas semanas retomámos como ensino à distância. Esta nova forma de ensino tem coisas boas, e outras menos boas. É bom poder jantar em casa e em família, mesmo entre aulas, é bom terminar as aulas às 23h e estamos em casa, sem ter de fazer o caminho de volta. É difícil saber que temos de sair do sofá onde estamos confortáveis, porque temos aulas, é difícil estar em casa sozinho e gerir o stress de ter um teste daqui a pouco, sem poder partilhar esse “sofrimento” presencialmente com alguém… Enfim! São novas formas de aprendizagem, novas rotinas, e podemos dizer que, até agora, não correu nada mal (e não faltámos a aula nenhuma 😋). Como o trimestre atrasou, nesta próxima semana já começamos o novo trimestre, sem idas à escola (pelo menos, para já). Estamos ansiosas com o que nos espera. De repente, esta semana olhámos para trás, e já temos 2/3 do primeiro ano feito. Como assim?!?! Passou tão rápido e está a ser tão bom. 😀

 

Tal como dissemos no início, estamos há um mês em casa. Um mês de isolamento social. Um mês de uma nova vida, de uma nova realidade, que ainda não tem uma data para terminar e nos deixar voltar às nossas vidas normais. Mas será que voltarão a ser “normais”? Será que os abraços, beijos, carinhos serão iguais daqui para a frente? Será que vamos passar o resto do tempo com medo? 😕

Na semana passada, numa ida às compras, a Simão encontrou uma amiga, a Ana. Assim que saiu do carro a amiga gritou “Andreia!!!”. Pareceu estranho, e ao mesmo tempo foi tão bom.  São amigas há mais de 20 anos, e nunca tiveram um encontro tão “estranho”. Falaram à distância, ainda que com a normalidade do costume. Mas faltou qualquer coisa. Faltou o abraço. Falou o carinho. Faltou o lado pessoal daquele encontro inesperado.

 

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Neste mês de isolamento, já tivemos várias fases e temos aprendido algumas coisas. A pior, talvez tenha sido na 2ª semana de isolamento social. Quase como que uma depressão que entra pela casa. As saudades das pessoas que amamos começam a apertar, e começamos a sentir que daí para a frente é só a piorar. Talvez seja, mas vamos arranjando, ou pelo menos tentando, novas formas de matar a saudade. Saudades da família, dos amigos, de tudo. Saudades da simples liberdade de poder ir à rua, encontrar alguém e dar-lhe um abraço. As tecnologias vão ajudando. Ajudam-nos a ver, a ouvir…, mas e o resto? O toque, o cheiro, a presença… Talvez isto seja mesmo, o que mais custa neste processo todo. Mas vai haver um dia, e esperemos que não demore muito a chegar, em que vamos poder abraçar-nos. Abraçar pais, avós, irmãos, amigos… quem quisermos e sem medos. Que saudades! Saudades daquele abraço apertado e caloroso, que transmite tanto amor, tanto carinho, tanto conforto.

 

No espaço de mais de um mês, a Simão apenas viu os avós 3 vezes, e esteve perto deles duas. Das duas vezes, morreu de medo. Medo de poder estar doente sem saber, e os poder por em risco. Foram visitas rápidas, de máscara, luvas e sem tocar em nada lá em casa. Esteve com eles pouco tempo… meia dúzia de minutos. O suficiente para “matar” uma pequena parte das saudades, e lhes mostrar que não estão sozinhos. A pouca companhia, distante e muito diferente daquilo que estão habituados, por não ter beijos nem abraços, serviu para os fazer sorrir. Sorriram pouco, mas sorriram. Sentem-se sós. E não é difícil imaginar que se sintam assim. Se nós, com o mundo à distância de um clique, nos sentimos, o que sentirão duas pessoas, perto dos 90 anos, e que usam telefone apenas para chamadas? 😔 Ainda que a mãe da Simão vá lá todos os dias, sentem-se “presos” dentro de casa.

Por seu lado, a Pinto não vê a mãe há um mês. Custa-lhe imenso esta ausência e só poder ouvir a sua voz ou ver a sua imagem numa videochamada. Mas é assim que tem de ser… a mãe está a travar uma luta contra um cancro, e poder ser exposta a este vírus não é de todo desejável. Se fosse possível, a Pinto colocaria a mãe numa redoma de vidro nesta fase para a proteger de tudo e abraçaria o vidro com todas as suas forças!

Esta altura do ano ainda torna a coisa um bocadinho mais difícil. Na Páscoas as famílias costumam reunir-se. É mais uma daquelas alturas em que nos reunimos à volta da mesa. Este ano, também isso foi diferente. A família da Simão costuma reunir-se no Algarve nesta altura. Há festa na aldeia de onde os avós dela são, e a tradição é que se juntem por lá os primos e tios, para fazer a festa e a matar saudades. Nada religioso. Apenas uma família alegre, a comer, a beber e a dançar no bailarico da aldeia.  Este ano já tinham feito planos. O marido da Simão ia estar de folga neste fim de semana e iam passar lá o fim de semana e reencontrar familiares com quem não estão há algum tempo. Andavam a pensar nisso desde que souberam o horário dele no início do ano… A realidade foi um pouco diferente.

Na família da Pinto, costumam almoçar juntos…. Muita conversa ao almoço, miúdos a gritarem e a correrem pela casa, seguido de um passeio pelo jardim. Saudades ….

Mas como temos de olhar para o copo meio cheio, convém ver o que temos “aproveitado” destes dias em casa. Continuamos a trabalhar, o que nos mantém a cabeça ocupada por umas horas, dá para passear o cão na hora de almoço, não se acumulam cestos de roupa para lavar à espera do fim de semana, porque também dá para tratar disso durante o dia, temos os estudos que também nos mantém a cabeça ocupada, e dá para cozinhar com outro espírito e as refeições até parecem estar melhores. Não temos de “sofrer” quase 2 horas por dia no trânsito, nem pensar se a blusa que vestimos fica perfeita com as calças que escolhemos. Quando a vida “voltar” ao normal, boa sorte para calçar uns sapatos com salto 😂

 

Vamos continuar por casa, ainda que a morrer de saudades de todos os que amamos e não partilham casa connosco. Porque é assim que tem de ser, para o bem de todos. 

Sabemos que, no meio disto tudo, somos sortudas. Porque não temos de nos expor todos os dias, como acontece a tantas pessoas. Só queremos mesmo que isto passe, para bem de todos. 😉 

 

Beijos,

As Andreias

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